Tem que ser preto pra saber o que significa meu cabelo
Pra saber o que diz o punho cerrado e o ato de erguê-lo
Só sendo preto pra entender a verdade da piada
Só sendo preto pra entender a recusa em dar risada
Tem que ser preto pra se sentir em casa na periferia
Tem que ser preto pra saber a cara de quem "trampa" na cozinha
Só sendo preto pra sentir abertas as portas das universidades
De cota em cota quem é preto vai cobrando a dívida com sua ancestralidade
Tem que ser preto para perceber o racismo da polícia
A indiferença na notícia
E sendo preto pode ser o único revistado na condução
Ou o único acompanhado pelo segurança na loja em meio a multidão
Tem que ser criança preta pra saber que o herói é branco
A heroína é branca
E na TV a preta é empregada
Quando não, está na senzala
Se não for preto faça me um favor
Cale, chegou vez do preto bradar com fervor
Meu batuque será ouvido
Meu verso tomará sentido
Outros pretos, não poucos
Terão os grilhões das mentes soltos
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